Data: 07/01/2010
Já estou até imaginando a chiadeira dos esquerdólatras desta cidade! Vão sair por aí me chamando de porco chauvinista, de radical de direita ou – se forem mais razoáveis como alguns amigos meus – de alienado político. No Brasil é assim: quem não apoia o presidente que fala merda é de direita. Mas o presidente que fala merda e a companheirada, que apoiam Sarney, Calheiros e Collor, são de esquerda. Então tá.
Eu chamo palavrão. Quase todo o mundo chama. Há momentos em que o palavrão é tarapêutico. Noutros, funciona como interjeição! Mas eu não chamaria um palavrão num discurso de formatura. Eu não chamaria um palavrão apresentando um programa de TV. E eu não sou – nem quero ser – presidente da República.
Qualquer pessoa que já tenha lido livros sobre nosso presidente sabe que ele tem a boca suja. Chama muito palavrão. Mas Lula está perdendo o restinho de bom senso: em São Luis do Maranhão, durante cerimônia de assinatura de contratos do programa “Minha Casa, Minha Vida”, o filho do Brasil “resolveu fazer um discurso à altura do refinamento teórico de seu governo e das esquerdas que lhe dão sustentação”. Soltou o verbo assim: “Eu não quero saber se o João Castelo (prefeito de São Luís) é do PSDB; não quero saber se o outro é do PFL; não quero saber se é do PT. Eu quero saber se o povo está na merda, e eu quero tirar o povo da merda em que ele se encontra. Esse é o dado concreto”.
É claro que o presidente tem direito de chamar palavrão. Mas convém? É exemplo para a autoridade máxima do país o uso de termos dessa natureza sob o pretexto de se fazer entender pela população? Ou será que Lula considera o povo que está “na merda” um povo “de merda” para só entender as mensagens dessa forma?
Talvez o presidente esteja perdendo a compostura porque sabe que Dilma não decola. O mensalão do DEM prejudica a patética oposição que existe no Brasil, mas nem isso deve ajudar muito a Dilma. E Lula não se conforma. No mesmo discurso, tratou logo de atacar a imprensa, dizendo que sabia que ela iria criticar o uso do palavrão. É como se antecipar e jogar a culpa na imprensa, que é preconceituosa e “de direita”. No Brasil vive-se uma época em que só há duas pessoas: as boas e inteligentes, que aprovam Lula e o governo; e as más e estúpidas – como eu –, que conseguem enxergar tantos descalabros.
No próximo dia 1º de janeiro, a mais bem elaborada propaganda política da história desse país estreia nos cinemas. O filme “Lula, o filho do Brasil” é mais uma ficção do que um drama: quer mostrar um homem sofrido, sem defeitos e honesto até a alma. Quem já assistiu afirma: é um melodrama feito para emocionar. A intenção é santificar Lula. Estou louco para ver o filme. Afinal, não é todo dia que a gente pode conhecer um “santo” que fala “merda”...
Bom Natal a todos!