Data: 07/01/2010
Esta semana, a última de 2009, eu gostaria de conversar com os professores de redação, com pais de alunos e com quem acha que entende de língua. Ouvi a queixa de alguns profissionais da área que reclamam da quantidade de redações que as escolas querem que os alunos façam. Se possível, uma por semana! E querem que os professores corrijam tudo direitinho, em tempo hábil, sob a pena do rótulo de irresponsáveis ou incompetentes.
No Brasil, é comum que os especialistas da área não sejam ouvidos acerca dos problemas inerentes a cada disciplina. As decisões são tomadas em outros âmbitos. O resultado é o desastre que aí está. As aulas de gramática só são produtivas se a criança souber a diferença entre um predicado verbal e um nominal. As aulas de redação só são produtivas se o aluno escrever um texto por semana, sobre o que quer que seja, mas que escreva.
Está tudo errado!! Para escrever bem, é preciso reflexão, análise, conhecimento do assunto. Muito mais importante que obrigar os alunos a fazer uma redação por semana é discutir com eles o tema que será proposto, ver filmes, ouvir músicas interessantes, ler reportagens de jornais e revistas. Só então o ato de redigir pode se tornar prazeroso. Só então será possível observar a capacidade de expor no papel aquilo de que se ouviu falar.
Nas escolas, a redação precisa ser feita em pouco tempo, sem direito a muita reflexão. Os pedagogos do apocalipse querem quantidade. Quanto mais, melhor! O resultado é que, para cumprir prazos e metas, os professores não orientam e corrigem muito mal as redações. O aluno as recebe, guarda e começa tudo de novo.
Para aprender a escrever bem, é óbvio que é preciso escrever. Mas essa é a última etapa. É preciso haver discussão de temas, debates, aprofundamentos. É preciso ouvir o que os alunos sabem sobre o assunto. É preciso instigá-los a querer escrever sobre algo. Ao atropelarmos esse ritmo em nome de uma suposta eficiência obtida pela quantidade de textos, apenas sacrificamos alunos e professores. Um texto bom não é apenas um texto sem desvios gramaticais. É um texto coeso, adequado ao contexto e ao nível dos supostos leitores. Um texto bom usa as palavras certas nas situações certas. Um texto bom é muito mais do que um conjunto de frases sem problemas gramaticais. Os bons professores sabem de tudo isso. Mas é preciso ouvi-los de vez em quando...
Um feliz 2010 para todos nós. Paz, saúde e paciência.