Treinem seus oradores
Data: 07/01/2010

Agora que o ano terminou e muitos planos ganham forma para 2010, um conselho para aqueles que concluem algum curso: oradores são pessoas especiais. Dominam a palavra, dominam o tom de voz, sabem o que dizer e reconhecem o nível de formalidade da ocasião. Quem não tem essas preocupações não deve ser orador.
Vou a muitas formaturas. E o que tenho visto – com raras exceções – é sofrível quando chega o momento de os oradores de turma se pronunciarem. Discursos com desvios de concordância, referências a brincadeiras de mau gosto, vocabulário pobre e inconveniente à formalidade da situação. Faz vergonha.
E quando o orador de turma é do Ensino Superior, o problema é ainda mais grave. Alguém precisa dizer que, no imaginário das pessoas, o orador é o que há de melhor no quesito domínio da palavra. As Instituições de Ensino Superior da cidade precisam, urgentemente, dar uma atenção maior a essa questão. Treinem seus oradores, analisem os discursos com antecedência, exijam postura conveniente. As turmas, quando forem fazer suas escolhas, devem avaliar com seriedade. Engraçadinhos - que muitas vezes são os queridinhos - podem ser palhaços (sem depreciar a profissão), não oradores.
Vejam o exemplo do Lula. Há um especialista da linguagem que escreve todos os discursos do Presidente. Texto coeso, correto, sério. O problema é que o Lula gosta de “falar para o povo” – o que, para ele, muitas vezes significa baixar o nível. Aí surgem coisas tenebrosas como o “sifu” ou “o povo está na merda”, usados em 2009. Mas quando está em encontros internacionais, pelo menos, “o filho do Brasil” não arrisca suas metáforas futebolísticas nem seus exemplos estapafúrdios. Lula segue o roteiro do protocolo.
Discursos de formatura não são ocasiões para improvisos, para superficialidades, para gracinhas. Não fazem parte de um ambiente linguístico em que transgressões gramaticais são vistas com naturalidade. Por isso, os oradores devem treinar bastante antes de irem ao púlpito. E os colégios, faculdades e universidades devem estar atentos a essa questão. Se o orador é aquele que fala em nome da turma, o mínimo que se pode esperar dele é a capacidade de usar as palavras de forma ponderada, coerente, coesa. E obedecendo às recomendações da norma padrão da língua.