Data: 01/03/2010
Qualquer economista sensato defende a ideia de que, quando se quer ver uma empresa crescer, é preciso valorizar seus profissionais. Pelo menos os bons. Na sala de aula não pode ser diferente.
Por causa de uma suposta “pedagogia da discriminação”, muitos passaram a condenar os elogios na sala de aula. As escolas praticamente aboliram as referências aos primeiros lugares das turmas. Antigamente, até medalhas eles ganhavam. Hoje, muitos condenam a premiação aos bons. É por isso que o Brasil não avança. Esquecemos a meritocracia, um importante subproduto da revolução industrial.
Nas escolas, todo pai quer ganhar desconto. E às vezes estudantes que jamais abrem um livro acabam gozando de certos privilégios. Descontos deveriam estar associados a boletins invejáveis. É mérito. Da mesma forma, os professores deveriam ser postos a julgamento: e ninguém melhor para fazê-lo que os próprios alunos. Países que investem em seus mestres, valorizando mesmo os bons, logo revelam resultados positivos na aprendizagem dos alunos. E alunos que são premiados por seu desempenho rendem ainda mais.
Para muitos, isso é a mercantilização da educação. Coisa de capitalistas. Deve ser mesmo. Mas estimular o desempenho e premiar os que se dedicam mais não é coisa de hoje. Os primeiros indícios de uso da meritocracia remontam a Antiguidade. Na China, Confúcio e Han Fei propuseram um sistema semelhante. Em 1911, o engenheiro norte-americano Frederick W. Taylor publicou “Os princípios da administração científica”, em que propunha que quem produzisse mais deveria ganhar mais. O americano Henry Ford foi o primeiro a pôr em prática, na sua empresa “Ford Motor Company”, o taylorismo. O tempo mostrou que eles estavam certos. Mas, para aqueles que gostam do atraso, a meritocracia só “perpetua a exclusão”. Para esses, ela é uma espécie de "Darwinismo Social", que só serve para tornar a sociedade ainda mais competitiva.
Olhemos as melhores faculdades do país. O que ocorre com os cursos mais concorridos? Estão destinados apenas aos melhores alunos! Ou seja, o mundo seleciona. Querer disfarçar essa realidade em nome de um ideal de “igualdade” é condenar as próximas gerações aos erros desta. Ou valorizamos ou valorizamos.
Obviamente, o estímulo àqueles que se destacam não pode se transformar em desestímulo aos que não conseguem chegar lá. Quando há metas a cumprir, quando se premiam os bons, os outros se sentem motivados a também conseguir. Quando todos recebem o mesmo tratamento – mesmo diante de resultados bem diferentes – penalizam-se os bons. E assim o desenvolvimento emperra.
Pensando assim, será que os pais devem dar presentinhos aos filhos quando estes conseguem a aprovação? Óbvio que não. Ser aprovado é dever, não favor. Mas aqueles que estudam o ano inteiro e são aprovados com louvor (sem provas e mais provas feitas exclusivamente para aprovar quem não estuda) merecem sim o reconhecimento paterno. Para esses alunos, livros e viagens interessantes normalmente são grandes presentes. Esse tipo de estudante é como o funcionário que se dedica o tempo todo à empresa em que trabalha e que é altamente competitivo e produtivo. Produz o ano todo.
Não gosto das metáforas futebolísticas – elas me lembram Lula. Mas o futebol serve para o caso: num clube, os jogadores recebem salários diferentes e têm tratamento diferente. E todos sabem por quê. Clubes de futebol são empresas. E empresas que querem crescer não chamam de gasto aquilo que é meritocracia.
Até a próxima semana.