Data: 31/03/2010
Enquanto a mídia volta os holofotes para a disputa pelo pré-sal, a “companheirada” se vê envolvida em mais um escândalo. O novo tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, está sendo investigado por suspeita de estelionato, apropriação indébita, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. “Só” isso. Uma investigação da Procuradoria-Geral da República revela que o tesoureiro cobrava uma propina de 12% para quem se associasse ao partido para assaltar os cofres públicos. O dinheiro da propina tinha, além de outras finalidades escusas, o intuito de financiar campanha de petistas – inclusive a reeleição do presidente Lula. Eita governo “honesto”.
Bom, mas nossa intenção não é discutir mais um escândalo de corrupção. É discutir o uso das aspas, essas vírgulas dobradas usadas para indicar uma citação, uma ironia ou um estrangeirismo, por exemplo. No caso da palavra “honesto”, usada no fim do primeiro parágrafo, o valor, claro, é de ironia.
Uma campanha publicitária da TIM veiculada recentemente brinca com o sentido de ironia que as aspas podem dar ao texto. Na peça, três rapazes conversam e proferem frases em que gesticulam a presença das aspas: Sua irmã foi “estudar” com o Paulão; o celular é “seu” (mas é bloqueado); foi “de graça” (mas o plano é mais caro, com multa); operadora “amiga”, hein?
Na fala, o tom de voz pode fazer o papel das aspas. Mas, num texto escrito, elas são necessárias para que o leitor compreenda o valor da ironia. Observe:
• Sua irmã foi estudar com o Paulão. (De fato, ela foi estudar)
• Sua irmã foi “estudar” com o Paulão. (Não foi propriamente um estudo...)
• O celular é de graça. (Você, de fato, ganha o aparelho)
• O celular é “de graça”. (O aparelho condiciona o cliente a taxas altas e a multas)
Como se pode notar, as aspas são um importante recurso linguístico à construção do texto.
Até a próxima semana.