Data: 13/04/2010
Semana passada, a candidata a presidente Dilma Rousseff classificou seus opositores como “lobos em pele de cordeiro”. O recurso metafórico tem a função de defender a ideia de que pessoas perversas (os tais “lobos”) tentam passar uma imagem de indefesas (os tais “cordeiros”).
Não é de hoje que utilizamos metáforas com nomes de animais para designar nossos desafetos. A ex-ministra, ao falar de lobos e cordeiros, usou uma das mais conhecidas expressões. Mas há outras. Chamar alguém de “víbora” é o mesmo que dizer que a pessoa é má, traiçoeira, de temperamento agressivo. É curioso notar que, em algumas regiões do nordeste, a palavra “víbora” (no sentido de “serpente” ou mesmo “lagartixa”) assume a forma “briba”.
Normalmente a utilização de nomes de animais tem a função de insultar. O termo “galinha”, por exemplo, serve para designar o indivíduo que troca de parceiros sexuais com muita frequência – ou mesmo que vive se insinuando. Uma mulher “galinha” nenhum homem quer; já os homens “galinhas” parecem exercer certa “atração” no universo feminino. Vá entender...
Não para por aí. Uma moça cheia de atributos de beleza é uma “gata”. O rapaz, “um gato”. O indivíduo perverso, maldoso, desprezível é chamado de “verme”. Aquele que é grosseiro, mal-educado, rude é um “cavalo”. Já o que conquista muitas mulheres vira “garanhão”. Da mesma família, podemos lembrar a “égua”, que serve para designar, aqui na região, o indivíduo pouco inteligente (usamos também “jumento” nesse sentido). No norte do país, “égua” designa prostituta.
A lista de insultos não tem fim. Os melhores amigos do homem, os cães, servem de metáfora para homens sem virtudes morais – os “cachorros”. Para as mulheres, a alcunha de “cadela” é uma das piores. Equivale a “vaca”, xingamento que designa mulher de vida devassa (se bem que há muita mulher achando o máximo cantar músicas em que são chamadas de “cachorras”). E “veado”, hein? Precisa explicar? Aquele que não é muito afeito a banhos e higiene pessoal é um “porco” (apelido recebido pelo “nobre” Che Guevara, que era chamado por seus seguidores de “porco fedorento”) ou “gambá”. Quem age com esperteza é um “gabiru”. E quem gosta de “assaltar” a geladeira é um “ratinho”. Os dicionários também se referem a “ratazana” como uma “mulher feia, pretensiosa, bizarra”: uma “ratona”.
Não fiquemos, contudo, com a impressão de que os nobres animais só servem para metáforas ofensivas. Na música “Codinome Beija-Flor”, Cazuza nos presenteia com letra e melodia maravilhosas: “Eu protegi seu nome por amor/ Em um codinome ‘beija-flor’”. Como se vê, bastam bons sentimentos para que as metáforas com animais sejam homenagens carinhosas a quem amamos. Qual o namorado que não quer ser o “ursinho” de dormir da namorada? Qual a namorada que não quer ser a “gatinha siamesa” do namorado?